Política

Governadora Raquel Lyra era sócia de empresa que atua irregularmente

Governadora manteve relação formal com grupo empresarial da família. Como mostrou o Metrópoles, a Logo Caruaruense roda de forma ilegal

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), integrou o quadro societário da Logo Caruaruense, empresa que atua de forma irregular no transporte de passageiros do estado desde 2022. Cabe ao governo comandado por Raquel Lyra fazer a fiscalização do setor.

A Logo Caruaruense é liderada pelo pai da governadora, o ex-governador João Lyra Neto. A companhia é responsável por serviço de transporte intermunicipal que opera sem vistorias exigidas e com dívida pública há pelo menos três anos, período que coincide com o início do mandato de Raquel Lyra.

Com sede em Caruaru, cidade em que Raquel Lyra atuou como prefeita, a empresa teve a governadora como sócia formal até 2018, conforme consta em contrato social do grupo empresarial. Naquele ano, as cotas foram repassadas integralmente para o pai.

O registro da empresa na Receita Federal mostra que a mãe da governadora, Mércia Lyra, também é responsável por gerir a Logo Caruaruense junto a João Lyra. Os pais de Raquel Lyra são sócio-administradores da empresa. Irmã da governadora, Nara Lyra também integra o quadro societário.

Pela legislação estadual, a responsabilidade direta pela fiscalização caberia exclusivamente ao Governo de Pernambuco, gerido pela ex-sócia Raquel Lyra. Desde 2022, porém, a empresa opera com vistorias vencidas. Imagens obtidas pelo Metrópoles mostram ônibus sucateados, com pneus carecas e até cinto de segurança que não funciona.

A governadora também integrou o quadro societário da Caruaruense Encomendas Expressas LTDA, empresa que fez parte do mesmo grupo familiar. Nesse caso, a principal atividade era a transporte rodoviário de cargas. Raquel Lyra permaneceu como sócia até 2015, quando formalmente encerrou o seu vínculo com a companhia, que teve sua atuação encerrada no mesmo período.

A Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI), do governo estadual, disse, por meio de nota, que “a empresa Logo, sucessora da empresa Caruaruense que é operadora do sistema nos últimos 66 anos, citada na reportagem, foi vencedora do certame licitatório de 2014, ao lado de outras empresas para operação do transporte intermunicipal em Pernambuco”.

“Em 2015, decisões do Tribunal de Contas e do Poder Judiciário determinaram que os contratos não fossem assinados, o que levou as empresas permissionárias a continuarem prestando o serviço no formato anterior à formação do consórcio. Em 2022, o Tribunal de Justiça considerou a licitação regular e desde então a EPTI vem atuando junto ao setor e aos órgãos de controle para realizar necessárias adequações, num processo de transição, em função da passagem do tempo”, declarou.

“A empresa realiza fiscalização em terminais rodoviários, pontos de embarque e desembarque e outros locais estratégicos como entradas e saídas de cidades como ação contínua e permanente”, informou.

A EPTI, porém, não respondeu por qual motivo as vistorias ainda não foram feitas após a identificação das irregularidades pelo órgão nem se a empresa foi punida.

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