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Imposto do Sol provoca retração no mercado de energia solar no Piauí

Governador Rafael Fonteles foi duramente criticado durante agenda que realizou no Sul do Estado

O mercado de venda e instalação de sistemas de energia solar no Piauí tem enfrentado uma desaceleração nos últimos meses, após a implantação do chamado “Imposto do Sol”, medida adotada pelo governo estadual que passou a incidir sobre a geração distribuída de energia elétrica. Empresários do setor relatam queda na procura por novos projetos e redução no número de instalações em residências e empresas.

A medida foi implementada durante a gestão do governador Rafael Fonteles e segue uma tendência de regulamentação da geração distribuída no país, após mudanças na legislação nacional do setor elétrico. No entanto, representantes do mercado afirmam que, na prática, a cobrança tem impactado diretamente a atratividade econômica dos sistemas fotovoltaicos para os consumidores piauienses.

Segundo empresários e integradores de sistemas solares, o setor vinha em crescimento acelerado no estado nos últimos anos. A combinação de altos índices de radiação solar no Piauí, somada ao aumento nas tarifas de energia elétrica, estimulou milhares de consumidores a investir em painéis solares como forma de reduzir gastos com eletricidade.

Com a nova cobrança, entretanto, o tempo de retorno do investimento aumentou. Antes da mudança, muitos sistemas eram pagos em cerca de quatro a cinco anos com a economia na conta de luz. Agora, segundo instaladores, o prazo pode se estender significativamente, o que tem levado parte dos consumidores a adiar ou desistir da instalação.

Empresas que atuam no segmento também relatam impactos diretos nas vendas. Alguns empreendedores afirmam que projetos que antes eram fechados rapidamente agora passam por análises mais cautelosas por parte dos clientes. Em determinados casos, contratos chegaram a ser cancelados após a entrada em vigor da cobrança.

Especialistas do setor energético destacam que a geração distribuída desempenha papel importante na diversificação da matriz energética e na redução da sobrecarga sobre o sistema elétrico. Para eles, a tributação excessiva pode desacelerar um segmento considerado estratégico para a transição energética e para a redução de emissões de carbono.

Por outro lado, defensores da medida argumentam que a regulamentação busca equilibrar os custos do sistema elétrico entre todos os consumidores, inclusive aqueles que não possuem geração própria de energia.

Enquanto o debate continua, empresários e consumidores aguardam possíveis ajustes na política tributária. No Piauí, onde o potencial solar é um dos maiores do país, o setor avalia que incentivos e regras claras serão determinantes para definir o ritmo de crescimento da energia solar nos próximos anos.

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