O Ministério Público do Piauí denunciou 12 pessoas investigadas na Operação Carbono Oculto 86, que apura um esquema de fraudes em postos de combustíveis ligados às redes HD e Diamante, com atuação no Piauí e em outros estados.
A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em conjunto com a 6ª Promotoria de Justiça da capital. Segundo as investigações, o grupo integra o braço financeiro e operacional de uma organização criminosa com atuação nacional, originalmente investigada no Estado de São Paulo, e que mantinha atividades no Piauí.
De acordo com o Ministério Público, os investigados são suspeitos de praticar crimes como adulteração de combustíveis, fraude no abastecimento, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. As irregularidades teriam ocorrido ao longo de cerca de dez anos, entre 2016 e 2025.
O promotor de Justiça William Luz detalhou como funcionava a estrutura do esquema investigado e destacou a existência de diferentes núcleos responsáveis pela movimentação e ocultação de recursos.
“O Ministério Público, no oferecimento da denúncia, identificou quatro grupos em atuação dentro desse esquema relacionado à lavagem de capitais. Um grupo originário, de caráter operacional, atuava aqui no estado do Piauí e já tinha vinculação com postos de combustíveis. Esse grupo passou a se conectar com um grupo paulista, investigado na Operação Carbono Oculto em São Paulo”, afirmou.
De acordo com o promotor, a ligação entre os grupos foi estabelecida por meio de movimentações financeiras consideradas atípicas.
“Esses dois grupos se vincularam a partir de transferências suspeitas, principalmente por meio de bancos digitais. Essas operações financeiras foram rastreadas e identificadas. Por isso, um dos fundamentos da denúncia é justamente a imputação do crime de lavagem de capitais com base nessas transações”, destacou.
Ainda segundo a apuração, consumidores já vinham relatando prejuízos e registrando boletins de ocorrência após perceberem problemas na qualidade e na quantidade de combustível adquirido. As suspeitas foram reforçadas por autuações de órgãos de fiscalização, como o IMEPI/Inmetro, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e o Procon do MPPI.
As investigações também apontam que o grupo utilizava empresas e pessoas interpostas, os chamados “laranjas”, para ocultar a origem de recursos obtidos de forma ilícita, caracterizando, em tese, o crime de lavagem de capitais.
Segundo o promotor William Luz, foi identificada a atuação de núcleos familiares no esquema, com papel estratégico na ocultação de recursos de origem ilícita.
“Além disso, foram identificados núcleos relacionados à lavagem de dinheiro dentro do estado do Piauí, principalmente os chamados núcleos familiares, que utilizam recursos e outras formas de dissimulação para dificultar o rastreamento desses valores. Por isso, a denúncia também abrange esse tipo de atuação”, explicou.
No curso do processo, o Ministério Público recorreu ao Tribunal de Justiça do Piauí e conseguiu decisão que mantém a interdição dos postos investigados, além do bloqueio de bens e valores dos denunciados, como forma de impedir a continuidade das atividades suspeitas.
Na ação penal, o MP pede a condenação dos envolvidos e o pagamento de indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 74,2 milhões. O caso ainda aguarda decisão da Justiça sobre o recebimento da denúncia.





