
O motorista Lucas Gabriel afirmou que só teve certeza de que havia sido vítima de um suposto golpe após tomar conhecimento da operação da Polícia Civil que interditou a empresa LD Consórcio – Líder Consórcios e Investimentos, em Teresina. Segundo ele, o valor que esperava receber por meio de uma carta de crédito seria utilizado para a compra de outro veículo, com o objetivo de ampliar sua atividade profissional.
Lucas contou que foi convidado a comparecer à empresa sem receber maiores explicações sobre o motivo do contato. No local, afirma que foi convencido a contratar uma suposta carta de crédito contemplada, mediante o pagamento de uma entrada de cerca de R$ 5.300, após a promessa de que teria acesso a R$ 60 mil em poucos dias.
“E eles pediram que eu viesse até a loja sem eu saber o que estaria acontecendo. Chegando aqui eles me induziram a estar fazendo uma carta que era contemplada. Aí eu perguntei como que seria. Pediram minha documentação, eu dei minha documentação. Aí eles falaram que aprovou um valor de 60 mil reais, que eu teria que ofertar 5.300. Eu ofertei, eles falaram que com três dias esse dinheiro ia estar disponível e, então, passaram oito dias e eles não me respondiam mais”, relatou.
O motorista disse que passou a desconfiar da situação quando deixou de receber respostas da empresa, mas afirma que a confirmação de que havia sido enganado ocorreu somente após acompanhar, pelas redes sociais, a divulgação da operação policial que resultou na suspensão das atividades do estabelecimento.
“Eu vi lá no Instagram quando foi fechada a loja, eu entrei imediato em contato com eles, eles falaram que era bom ficar tranquilo, que tinha sido só um mal entendido de um dos clientes que agiu de má fé, sendo que eles que estavam agindo de má fé contra a gente”, explicou.
A LD Consórcio é alvo de uma investigação da Polícia Civil que apura um suposto esquema de estelionato relacionado à comercialização de falsas cartas de crédito. Durante a operação, foram presos o proprietário da empresa, Cláudio Moura da Silva, e a gerente Diana Lopes de Araújo.
Segundo a investigação, cerca de 130 boletins de ocorrência foram registrados contra a empresa nos últimos seis meses. As denúncias apontam que clientes eram induzidos a acreditar que contratavam cartas de crédito já contempladas, com liberação rápida dos valores, quando, na realidade, assinavam contratos de consórcio comum.
Os prejuízos informados pelas vítimas variam de R$ 5 mil a R$ 150 mil e, conforme estimativa da Polícia Civil, o dano total pode ultrapassar R$ 1 milhão.
Além das prisões, a Justiça determinou a suspensão das atividades da empresa. As investigações continuam para identificar outras possíveis vítimas e aprofundar a apuração sobre o suposto esquema.




