Famílias resistem à ordem de desocupação na zona Leste
Cerca de 40 famílias residem na ocupação no Parque Universitário.

Moradores da ocupação Marielle Franco, localizada na região do Parque Universitário, zona Leste de Teresina, receberam na manhã desta quinta-feira (15) uma ordem judicial de desapropriação das terras. Essa é a segunda vez que a ocupação, iniciada em outubro de 2024, recebe a ordem. A Polícia Militar esteve no local para cumprir a decisão, mas as famílias informaram que não iriam sair do local.
Segundo o representante da ocupação, Leonardo Bezerra, a área onde a ocupação está situada pertence à prefeitura, apesar de aparecer uma pessoa informando que seria o dono do local.
“Essa área foi cedida pela prefeitura na década de 80, e agora surgiu um documento afirmando que há um novo proprietário. No entanto, ao analisarmos o documento apresentado, constatamos que a área não pertence a esse suposto dono. Mesmo assim, a ordem de desapropriação está sendo cumprida pela polícia”, explicou Leonardo.

Cerca de 40 famílias residem na ocupação. Elas alegam que a área está abandonada e sem uso social, o que motivou o início do movimento de ocupação. O morador Moisés Dantas comentou sobre o momento em que a polícia chegou ao local para cumprir a desapropriação.
“Fomos surpreendidos hoje com essa ordem de despejo, mas vamos resistir. Estavam querendo tirar os moradores à força. Aqui temos muitas crianças e mulheres que não têm para onde ir”, relatou o morador.
A ordem de desapropriação foi executada por equipes da Polícia Militar. Segundo o coordenador de mediação de conflitos da PM, Jamson Lima, esta é a segunda ordem judicial de desapropriação recebida pela ocupação Marielle Franco.
“Entendemos que se trata de uma luta social e reconhecemos os valores envolvidos nesse conflito. Mas precisamos cumprir a ordem judicial da melhor forma possível. Aqui não há criminosos, e ninguém está sendo tratado como tal. Apenas estamos cumprindo a lei”, afirmou o coordenador.
O vereador de Teresina, João Pereira (PT), esteve na Ocupação Marielle Franco para mediar a situação entre os moradores e a polícia. Segundo o vereador, o documento de desapropriação se refere a outra área, localizada na região do bairro Socopo.
“A decisão judicial determina a desapropriação de uma área na região do Socopo. Mas aqui é região do Satélite, e as informações não coincidem. Respeitamos a decisão judicial e também a presença da Polícia Militar, mas estamos questionando a situação para que a Justiça se sensibilize. Embora tenha sido apresentado um documento de desapropriação, as famílias não o reconhecem”, comentou o vereador.
Primeira desocupação
No dia 30 de janeiro deste ano, a ocupação recebeu a primeira liminar de desapropriação. Segundo os moradores, a ação foi realizada sem a devida verificação da documentação do terreno. Por isso, as famílias decidiram reocupar a área no último dia 20 de fevereiro. O arquiteto e urbanista Luan Rusvell esteve no local onde a Ocupação Marielle Franco busca resolver a situação de moradia de pelo menos 66 famílias.
“Nós apresentamos uma solução para a questão da moradia aqui em Teresina, mas esperamos que a prefeitura também se posicione sobre o assunto”, concluiu o arquiteto.
Fonte: Cidade Verde

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