Nova regra da Câmara prevê suspensão de vereadores
A proposta aprovada pela Câmara Municipal busca conter embates recorrentes entre parlamentares.

A Câmara Municipal de Teresina aprovou, nesta quinta-feira (26), uma mudança no regimento interno que permite a aplicação de sanção de suspensão por até oito sessões parlamentares, o equivalente a cerca de um mês, contra vereadores que se envolvam em discussões acaloradas e desrespeito às normas do plenário. A medida também prevê suspensão de pagamento e penalidades financeiras, como forma de frear os crescentes embates públicos entre parlamentares.
Segundo o presidente da Casa, vereador Enzo Samuel (PDT), a alteração não tem caráter punitivo extremo, mas atua como mecanismo de advertência formal, funcionando como um “cartão amarelo” no ambiente político. “Vai da advertência à cassação da voz, que é a suspensão da fala durante a sessão, e pode chegar até à perda de mandato. Agora, com essa nova proposta, incluímos a suspensão de sessões. No futebol, antes do cartão vermelho tem o amarelo. Na Câmara, teremos agora esse alerta aos colegas, para mostrar que a Casa, minimamente, tem regras”, declarou Enzo.
O parlamentar também reforçou que a medida não compromete a autonomia dos mandatos, mas delimita um padrão de convivência institucional. “Uma coisa é a independência dos vereadores; outra é desrespeitar os colegas ou a ordem da Casa. As regras precisam ser respeitadas. A suspensão poderá chegar a até oito sessões, conforme a gravidade do caso”, completou.
Clima tenso e episódios recentes expõem crise de articulação
A aprovação da medida vem em um momento de clima interno turbulento, marcado por trocas de acusações entre parlamentares. Recentemente, os vereadores Draga Alana (PSD) e Petrus Evelyn (PP) protagonizaram uma acalorada discussão durante sessão ordinária. Draga reagiu às críticas de Petrus sobre sua atuação na CPI da Águas de Teresina, acusando o colega de ter sido eleito “somente pelas redes sociais” e de desconhecer a realidade da capital. “Petrus Evelyn foi eleito apenas com base nas mídias sociais. Um vereador que não conhece Teresina, que não conhece nem seus eleitores. Já ouvi isso da boca dele. Eu, sim, conheço minha cidade. Sou amado pelo meu povo”, disse Draga.
O parlamentar também negou qualquer tentativa de sabotagem na CPI, reforçando que participou de todas as oitivas e desafiou o colega a apresentar “resultados concretos” para a cidade.
Base desarticulada e embates entre aliados
As tensões não se limitam à oposição. Dois vereadores do Progressistas, Samantha Cavalca e Petrus Evelyn, também protagonizaram um embate público. Recentemente, Samantha utilizou a tribuna para criticar a atuação do colega como vereador e como presidente da CPI das Águas de Teresina o acusando de “mentir descaradamente”.
“Eu odeio mentira, e odeio os mentirosos. Agora há pouco o vereador Petrus subiu onde estou e mentiu descaradamente para o povo de Teresina. Vereador Petrus, ou o senhor é incompetente ou preguiçoso porque o senhor não aprova nada e vive de ataques mesquinhos, mentirosos e egoístas”, declarou a vereadora.
Samantha rebateu também a acusação contra o seu assessor. “Hoje ele subiu nessa tribuna para dizer que um assessor meu o atacou, mas o Petrus Evelyn, vereador, esquece que tem um assessor dele que está me atacando há anos e sabe o que eu fiz? Procurei a Justiça e ganhei”, enfatizou.
Ao final do seu pronunciamento, Petrus afirmou que Samantha nunca havia solicitado qualquer documento referente à CPI. Nesse momento, os ânimos se exaltaram, e, ao responder a Petrus, Samantha foi repreendida com a ordem para fazer silêncio dando início ao bate-boca.
“Faça silêncio! Eu estou falando. Faça silêncio! Faça silêncio! Não é sua vez, vá se sentar!”, esbravejou Petrus.
Fonte: GP1
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