Política

Goela abaixo? PT não quer Bandeira de vice e deputados iniciam movimento de insatisfação

Nos corredores da Assembleia Legislativa, deputados saudosos das épocas de Wellington não engolem a escolha de Bandeira

Rafael Fonteles anunciou o nome do possível vice em sua chapa, ateou fogo no parquinho e sumiu, entrou de férias até o dia 19 de janeiro. A medida visa esperar a poeira baixar e buscar entendimentos internos para evitar fissuras dentro do Partido dos Trabalhadores, do Governo do Estado e principalmente contra Wellington Dias e Lula.

Ao colocar o nome de Washington Bandeira, ex-juiz federal do Trabalho e ex-secretário de Educação como vice em uma eventual chapa para a reeleição, Rafael bateu de frente contra seu idealizador, o ex-governador Wellington Dias. Pouco antes, durante evento na APPM, ambos em entrevista aos jornalistas informaram que os anúncios somente ocorreriam após debate interno e avaliação do PT. Balela!

Foto: Reprodução

O atual mandatário foi para as redes sociais e sem receio ou cerimônia alguma, tascou o nome de Bandeira, do qual rasgou elogios ‘o credenciando’ para a nova missão. No imaginário de Rafael, ter Bandeira como vice seria a garantia de uma continuidade, isolando o grupo de Wellington Dias, chamado de ‘PT raiz’ e pavimentando o caminho para os ‘rafaboys’ em 2030.

Nos corredores da Assembleia Legislativa, deputados saudosos das épocas de Wellington não engolem a escolha de Bandeira. O mesmo não possui qualquer identidade partidária, tendo se filiado ao PT pouco tempo atrás, além de não ter trato político e aversão aos mais humildes.

Bandeira tem origem burguesa, destoando das características que o PT sempre considerou como fundamentais na estruturação de suas chapas majoritárias, apelando para os mais pobres e de origem simples, perfil que se assemelha ao do povo piauiense, principalmente aqueles mais distantes da capital, reduto onde Wellington Dias e companhia possuem uma forte identidade e apoio.

No entanto, a discussão não se trata especificamente de Wellington Dias, mas sim, da manobra desenhada por Rafael Fonteles para isolar o ‘ex-aliado’ em um futuro próximo. Para se impor, o ex-governador aposta um nome de ligado aos petistas mais antigos, que tenha bom trânsito a cúpula do partido e os aliados.

Enquanto trabalha para manter os rafaboys na linha de frente em detrimento ao PT, deputados como Fábio Novo, Jannaína Marques, Evaldo Gomes, Coronel Carlos Augusto, Henrique Pires, Gil Carlos, Dr. Hélio, Francisco Limma, Hélio Isaías, Elisângela Moura, Fábio Xavier, Oliveira Neto, Warton Lacerda, Felipe Sampaio e Ziza Carvalho, todos da base aliada, são favoráveis ao nome de Vinícius Dias, filho de Wellington Dias. Nos bastidores, o ministro tem conversado com parlamentares e já se insinua um movimento pró Vinícius Dias. O debate final deverá chegar ao presidente Lula, que já manifestou interesse no nome indicado pela ala histórica do PT.

Foto: Reprodução

Rafael tem maioria de apoio na Assembleia Legislativa, mas ainda precisa trabalhar e dialogar para ter maioria no campo político. Eleição se constrói no campo, não nos corredores da Alepi, e disso Wellington Dias e seu grupo entendem bem, pois foi eleito governador quatro vezes em primeiro turno, sempre elegendo maioria das bancadas na Casa.

O nome de Bandeira não tem agradado Wellington e seu grupão, e muito menos o presidente Lula, que apoia e tem no seu ministro uma relação de extrema confiança. Foi no Piauí, nos governos de Wellington onde Lula e Dilma sempre se vangloriaram de terem as maiores aprovações e as maiores votações proporcionais desde 2002.

A discussão ainda terá novos capítulos. Rafael precisará justificar, convencer e compensar o PT raiz, Wellington Dias, e uma ala do MDB ligada ao atual vice-governador Themístocles Filho, outro que saiu contrariado e rachado com Rafael Fonteles.

Com o PT raiz fora da chapa majoritária em 2026, Rafael pavimenta o isolamento político de Wellington Dias em 2030. Lá, será somente uma vaga para o Senado, com nomes como próprio Wellington, próprio Rafael, além de outros ‘rafaboys’, que sairão candidatos sem a figura central do PT na disputa, o presidente Lula.

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