Fábio Novo crava: PSD permanece na base do PT no Piauí
Recado é direto ao núcleo duro da política piauiense. O PSD de Júlio César não é coadjuvante. É peça estrutural da base que sustenta o governo e, por isso mesmo, entra no jogo com direito a prêmio alto: uma vaga ao Senado
No Piauí, a política raramente se move por impulsos ideológicos. Ela avança por pactos, gestos silenciosos e acordos que se fazem longe dos holofotes e é exatamente nesse registro que se encaixa a fala de Fábio Novo, presidente estadual do PT. Ao afirmar que o PSD continuará no palanque governista em 2026, independentemente do que a sigla decida em Brasília, ele não está apenas comentando uma aliança: está revelando como o poder é organizado no estado.
O recado é direto ao núcleo duro da política piauiense. O PSD de Júlio César não é coadjuvante. É peça estrutural da base que sustenta o governo e, por isso mesmo, entra no jogo com direito a prêmio alto: uma vaga ao Senado. Num estado em que o Senado é mais que um cargo é um centro de gravidade política, essa garantia vale mais que qualquer discurso nacional.
O episódio que sela esse entendimento ocorreu aqui, em solo piauiense, durante a passagem de Gilberto Kassab. O presidente nacional do PSD, pragmático como poucos, não veio vender tese ideológica: veio ajustar engrenagem. Ficou combinado que o Piauí não seria refém do tabuleiro presidencial. Se o PSD nacional quiser ensaiar candidatura própria, pé com eles. No Piauí, a prioridade é manter o arranjo que sustenta o governo Rafael Fonteles e sua maioria política.
Esse tipo de autonomia estadual não é exceção, é método. No Piauí, partidos são menos “siglas” e mais estruturas de poder territorial.
No fim, o que está em jogo não é só a fidelidade do PSD ao PT. É a arquitetura do poder piauiense para 2026. Quem fica com o Senado, quem segura a base, quem evita rachas. E, nesse cenário, o discurso de unidade nacional vira detalhe. No Piauí, como quase sempre, o centro da política continua sendo o próprio Piauí.

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