Um ex-funcionário foi preso na manhã desta quarta-feira (15), suspeito de provocar um incêndio de grandes proporções em uma loja de pneus no bairro Lourival Parente, zona Sul de Teresina. O caso ocorreu em 9 de outubro do ano passado e resultou em prejuízo milionário, após a destruição do estabelecimento.
De acordo com o delegado Leonardo Alexandre, da 4ª Delegacia Seccional de Teresina, o suspeito foi localizado no bairro Torquato Neto e confessou o crime durante interrogatório. Segundo o delegado, o homem ainda trabalhava na empresa à época do incêndio e teria agido por insatisfação com a gerência.
“Em interrogatório, o investigado confessou a prática do crime. Alegou que estava, naquele momento, passando por alguns problemas psicológicos, tendo em vista uma insatisfação com a gerência do estabelecimento. Não deu maiores detalhes sobre o motivo dessa insatisfação e, por causa disso, ele veio a causar esse ato criminoso”, explicou o delegado.
As investigações apontam que o suspeito trabalhava como estoquista e tinha acesso ao pavimento superior, onde o fogo começou. Imagens de câmeras de segurança foram fundamentais para identificá-lo como principal suspeito.
“A partir da notificação do crime na unidade, nós passamos a analisar as imagens do circuito e entrevistar todos os funcionários que estavam no local, além da gerência do estabelecimento. Durante essa análise, foi constatada a presença de um funcionário no local exato onde se iniciou o incêndio. Ele transitava diversas vezes na área, e as imagens são claras ao identificar a pessoa que estava especificamente naquele ponto. Ele trabalhava como estoquista na empresa, tinha acesso ao pavimento superior, que foi onde se iniciou o incêndio, e a partir daí passou a ser o principal investigado”, detalhou.
O Corpo de Bombeiros informou que o combate às chamas durou cerca de seis horas. O fogo se espalhou rapidamente devido à grande quantidade de pneus armazenados no local. Ninguém ficou ferido.
A perícia criminal também teve papel decisivo na apuração. Segundo o delegado, os laudos descartaram causas acidentais.
“A perícia criminal também teve um papel muito importante na investigação. A partir das análises iniciais, a perícia descartou a possibilidade de o incêndio ter tido causa natural, o que direcionou a investigação para uma prática dolosa, criminosa”, afirmou.
O prejuízo estimado é elevado. De acordo com a polícia, a empresa informou perdas significativas, tanto estruturais quanto de mercadorias.
“O incêndio, por si só, causou um prejuízo financeiro muito grande para a empresa. A empresa nos comunicou que teve um prejuízo em torno de R$ 5 milhões, com a perda de cerca de R$ 3 milhões em produtos, aproximadamente cinco mil pneus destruídos, além da destruição completa do prédio”, disse.
Ainda conforme o delegado, o inquérito foi concluído e encaminhado à Justiça, com o indiciamento do suspeito pelo crime de incêndio.
“A investigação já está encerrada, o inquérito foi concluído, relatado e encaminhado ao Poder Judiciário, com o indiciamento desse funcionário pela prática do crime de incêndio. Trata-se de uma pena relativamente alta, de três a seis anos, com causa de aumento, tendo em vista que o local também funciona como oficina”, pontuou.
O delegado informou também que o funcionário foi demitido da empresa posteriormente e preso preventivamente devido à gravidade do caso, devendo permanecer à disposição da Justiça.
“A gravidade da conduta também deve ser avaliada sob o ponto de vista do local onde o incêndio foi realizado. Fica a apenas 20 ou 30 metros de dois postos de gasolina, o que poderia ter causado um dano ainda maior, colocando em risco a vida de funcionários, transeuntes e de quem mais passasse pelo local no momento do incêndio. A conduta desse funcionário é extremamente grave e, desse modo, foi representada pela prisão preventiva, que foi acolhida. Hoje, a equipe da 4ª Seccional efetuou a prisão”, finalizou o delegado.





