Reunião para suspender greve no transporte público termina sem acordo
Trabalhadores do transporte coletivo entraram no terceiro dia de greve em Teresina nesta quarta (23). Eles reclamam dos salários congelados desde 2019 e da retirada do ticket alimentação e plano de saúde
O Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região promoveu uma reunião na tarde desta quarta-feira (23) entre o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários do Piauí (Sintetro) e Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut) para tratar sobre as reivindicações dos motoristas e cobradores de ônibus de Teresina, que estão em greve desde segunda-feira (21).
Foram duas horas e meia de negociações, contudo, as categorias não chegaram a um acordo e a greve dos trabalhadores vai continuar.
“O impasse é porque as duas categorias têm pouco a oferecer em razão do sistema de transporte público coletivo, que já vem passando por uma situação periclitante de muito tempo. São perdas mútuas e é necessário reconstruir isso e não se reconstrói perdas antigas em um passe de mágica. Nosso pedido é que ambas as categorias possam vislumbrar algo, uma luz, se não agora, mas um compromisso daqui a três, quatro meses, quando eles estiverem mais oxigenados”, afirmou a desembargadora do TRT-PI, Liana Chaib.
O presidente do Sintetro, Antônio Cardoso, informou que não há como o sindicato pedir para que os motoristas e cobradores voltem a trabalhar devido às dificuldades que a categoria vem passando. Além disso, o sindicalista pediu que a Prefeitura de Teresina participe das reuniões, para que os impasses sejam resolvidos o mais rápido possível.
“O trabalhador cruzou os braços. A gente não tem como pedir que trabalhem diante da situação que eles estão passando. Há várias irregularidades por parte de muitas empresas, há pouquíssimas pagando o salário de 2019, que é determinado na CLT. Muitas empresas não cumprem nem o que está acordado nos contratos. Nós ouvimos o patronal, eles conhecem nosso sofrimento, o nosso clamor, mas não houve avanço. É necessário que a prefeitura participe, até porque foi promessa de campanha, porque ela é fundamental”, comentou Antônio Cardoso.
Em nota, a Prefeitura de Teresina comunicou que “sempre esteve à disposição para mediar as negociações entre trabalhadores do transporte público e empresários” e que foi feita uma proposta ao Setut para o pagamento de um auxílio às empresas de ônibus em mais de R$ 800 mil, além do que já é pago no acordo, para compensar o aumento do combustível.
Entretanto, o sindicato “não se dispôs a propor o acordo coletivo com os trabalhadores”.
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