Política

Lula convoca reunião de emergência após nova derrota

Encontro não estava previsto na agenda do presidente para esta quarta-feira.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e o líder do governo na Câmara, José Guimarães, para uma reunião no Palácio da Alvorada na manhã desta quarta-feira. O encontro não estava previsto na agenda oficial e acontece após nova derrota para o governo na Câmara dos Deputados. Os ministros encabeçam a articulação política do governo.

Nesta terça-feira, a Câmara a aprovou o texto-base do projeto de lei que estabelece um marco temporal para terras indígenas, em mais um sinal de fragilidade da base do governo. Além disso, a votação da MP que cria a nova estrutura do governo Lula foi adiada para esta quarta-feira, véspera do prazo de validade.

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), orientou contra o texto do marco temporal durante a votação e disse que o Poder Executivo queria adiar a discussão, sinalizando um acordo para isso. Momentos antes de votar, no entanto, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse que o governo não deu garantia de que iria cumprir o acordo.

Partidos como o MDB, PSD e União Brasil, que comandam ministérios na gestão Lula, deixaram, mais uma vez, de entregar os votos a favor do governo. Os partidos contribuíram para a aprovação do marco temporal das terras indígenas e entregaram 83% de seus votos em direção contrária aos interesses do Palácio do Planalto.

Lula chegou a determinar que o ministro Padilha fizesse reuniões com líderes partidários de legendas que possuem ministérios para cobrar fidelidade ao governo nas votações. Apesar dos encontros, segue o desalinhamento com os interesses do Planalto.

Além disso, o governo precisa aprovar até amanhã, na Câmara e no Senado, a MP que coloca de pé a estrutura de governo montada por Lula. Se isso não ocorrer, a esplanada voltará a ter a estrutura montada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e Lula só poderá propor alterações no próximo ano.

A previsão era que essa MP fosse votada na noite de ontem pela Câmara dos Deputados, mas acabou sendo adiada para a manhã desta quarta-feira.

Articuladores do Planalto avaliaram que a noite de terça-feira foi a mais tensa na Câmara dos Deputados desde o começo do governo. Sem força para conseguir reverter mudanças que desagradam o governo, a maior preocupação entre os auxiliares de Lula era com os destaques que a oposição poderia propor ao texto da Medida Provisória para desidratar ainda mais ministérios considerados chaves para o governo como do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas.

Outro pano de fundo das dificuldades do governo no Congresso é a disputa local de Alagoas entre o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o senador da base, Renan Calheiros (MDB-AL). Lira ficou irritado com uma publicação de Calheiros no Twitter, onde o senador o chamou de caloteiro, o acusou de desviar dinheiro público e também de ter batido na ex-mulher Julyenne Lins.

Segundo aliados de Lula, Lira fez chegar ao Planalto o recado de sua insatisfação, que foi interpretado pelo governo como um pedido para retirar o filho de Calheiros, Renan Filho, do Ministério dos Transportes, em troca da tramitação da MP. Lira negou que tenha pedido a substituição de Renan Filho. É falsa e descabida a informação que pedi ‘a cabeça de ministro’, e muito menos em troca de aprovação de qualquer proposta do governo. Tenho agido sempre com respeito aos Poderes”, afirmou Lira no Twitter.

Fonte: Oglobo 

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo