Crianças atravessam rio segurando em corda no Piauí
De acordo com a Prefeitura Municipal de Milton Brandão, a busca por recursos e apoio do Governo do Estado para construir uma passagem no local já está sendo elaborada. Secretário de Educação disse que decisão é de "livre e espontânea vontade" dos pais.

Crianças e adolescentes da comunidade Oitis, Zona Rural de Milton Brandão, Norte do Piauí, estão atravessando o Rio Corrente “como animais”, conforme relato de uma mãe, para ir à escola. Eles precisam ser amarrados e a travessia é feita com ajuda de uma corda. Muitas já deixaram de ir às aulas. As imagens foram registradas na quarta-feira (6), após fortes chuvas na região.
A Prefeitura de Milton Brandão, afirmou que a demanda é antiga e a Prefeitura Municipal busca recursos e apoio do Governo do Estado para construir uma passagem no local. O Lisandro Gonçalves, secretário de educação, disse que a decisão é “de livre e espontânea vontade” dos pais de “colocar a criança em risco”. Veja íntegra do posicionamento ao fim da reportagem.
“É muito complicado, a gente passa e tudo bem, mas para voltar não tem quem consiga. Temos que amarrar nossas crianças como animais, é difícil. Tenho muito medo”, disse Janaína Frota, 41 anos, mãe de três estudantes.
Ela e relatou ao g1 que durante o período mais intenso de chuvas os alunos ficam impossibilitados de ir à escola. As unidades de ensino da região ficam a cerca de 20 km da comunidade de Paudarco, em Milton brandão, onde ela mora.
Gael, de três anos, e os pais tiveram que atravessar o rio, na quarta (6), para ir a uma consulta pediátrica do menino (vídeo acima). A lavradora Rita Maria da Silva, mãe de Gael, amarrou os braços do filho ao redor do pescoço do pai para que eles conseguissem atravessar, já que o pai tinha que se segurar na corda e não podia segurar o filho.
“Passei e fiquei esperando [eles passarem] chorando muito, chorando muito mesmo. Não é fácil ver seu filho do jeito que ele passou. O coração palpitando, você só pensa coisa ruim. Graças a Deus deu certo”, contou ela.
Ela disse que gosta de morar na comunidade, mas que o período das chuvas é difícil para os moradores. “Já teve gente que morava do outro lado do rio que foi embora, porque tinha medo de ficar aqui”.

Para os estudantes e seus familiares, a situação normalmente é pior na volta dos alunos da escola para casa, ao fim do dia, quando o rio ganha um maior volume, com as chuvas que ocorrem no período da tarde.
“Pela manhã é tudo tranquilo, o problema é mesmo na volta. A chuva é boa, mas às vezes a gente sofre com essas coisas”, lamentou Janaína.
No vídeo gravado por moradores da região, estudantes atravessando o rio com o auxílio de uma corda. Em um dos momentos é possível ver crianças amarradas em seus pais para a travessia. As crianças são presas ao adultos e estes vão se segurando na corda para não serem levados pela correnteza.

Secretaria de Educação
Em entrevista à Rede Clube, o secretário de educação comentou a situação e falou ainda sobre a opção que alguns pais encontram, de mandar as crianças para a escola em caminhonetes sem proteção na carroceria, conhecidas como “pau-de-arara”. Segundo ele, a orientação dada pelas escolas é de os pais apenas não mandarem os filhos para as aulas.
“Aquelas pessoas que moram no outro lado dos rios são orientadas a não ir para a escola. Esse assunto para nós aqui é praticamente esquecido, porque eu vou ter que chamar o pai da criança para me dizer porque ele levou o filho dele [no pau-de-arara], vai entrar Conselho tutelar, porque o pai estava colocando a criança em risco, que não foi o motorista, nem o professor e nem o secretário, foi o pai por livre e espontânea vontade que levou o filho”, declarou.
Quanto à travessia pelo rio, a Prefeitura de Milton Brandão afirmou que a demanda é antiga e a Prefeitura busca recursos e apoio do Governo do Estado para construir uma passagem no local.
Fonte: G1 Piauí

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