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Cinco mortes em três dias acendem alerta e reforça fiscalização no trânsito no Piauí

O diretor citou ainda exemplos de ações realizadas pela SSP-PI que apresentaram resultados positivos. Em Uruçuí, por exemplo, a intensificação da fiscalização ocorreu após o aumento expressivo das mortes.

Cinco pessoas morreram em acidentes registrados em diferentes regiões do Piauí entre o sábado (30) e a manhã desta segunda-feira (1º). As ocorrências envolveram motocicletas, carros de passeio, caminhão-tanque e um caminhão de coleta de lixo, reforçando o alerta sobre a violência no trânsito no estado.

O caso mais recente ocorreu na manhã desta segunda-feira (1º), na BR-316, próximo à antiga Casa de Custódia, na zona Sul de Teresina. Raimundo, de 52 anos, morreu após um grave acidente de motocicleta. A esposa dele, de 47 anos, que estava na garupa, ficou ferida e foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O casal residia no município de Demerval Lobão.

No sábado (30), o adolescente Samuel Izac de Oliveira Azevedo, de 15 anos, morreu após a motocicleta em que estava colidir contra um poste no bairro Itararé, zona Sudeste de Teresina. Com o impacto, um transformador de energia caiu e atingiu a vítima na cabeça. O condutor da motocicleta foi socorrido com fratura na clavícula e ferimentos na perna.

Também no sábado, o gari Manoel Francisco de Carvalho, de 44 anos, morreu após ser atropelado pelo próprio caminhão de coleta de lixo durante o trabalho no município de Simões, a 451 quilômetros de Teresina. Segundo a Polícia Militar, ele tentou subir no veículo, caiu e acabou sendo atropelado.

Outro acidente grave foi registrado na BR-343, em Altos. Um homem de 51 anos e uma adolescente de 13 anos morreram após o carro em que estavam colidir frontalmente com um caminhão-tanque. Outras três pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas para unidades de saúde. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o carro das vítimas teria invadido a faixa contrária.

Ainda no sábado, Francisco das Chagas do Nascimento morreu após a motocicleta que conduzia colidir frontalmente com um carro de passeio na PI-208, rodovia que liga os municípios de Buriti dos Lopes e Barra do Longá. A dinâmica do acidente segue sob investigação.

Diante da sequência de ocorrências, o diretor de Operações de Trânsito da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), Fernando Aragão, afirmou que o cenário é motivo de preocupação e destacou que as mortes no trânsito já superam, com ampla margem, os homicídios registrados no estado.

“Morrem duas vezes mais pessoas no trânsito do que em mortes violentas intencionais. É um tipo de morte muito complexo, porque envolve diversas variáveis, desde o poder público, com ações de educação, fiscalização e engenharia, até a própria população, que precisa se conscientizar de que uma falha simples no trânsito pode custar uma vida ou deixar sequelas permanentes”, afirmou.

Parte das tragédias tem origem em comportamentos considerados evitáveis, como dirigir acima da velocidade permitida, utilizar o celular ao volante, conduzir veículos sem equipamentos de segurança e misturar álcool e direção.

“Uma simples falha de conduta, como deixar de usar o capacete, desrespeitar o limite de velocidade ou usar o celular enquanto dirige, pode resultar em uma tragédia. Mas a principal preocupação continua sendo a combinação entre bebida alcoólica e direção”, ressaltou.

O diretor revelou que levantamentos nacionais apontam que cerca de 30% das mortes no trânsito envolvem condutores que haviam ingerido bebida alcoólica. No Piauí, entretanto, os índices são ainda mais preocupantes.

“Nossa pesquisa local mostra que aproximadamente 60% das mortes no trânsito estão relacionadas ao consumo de álcool. É o dobro do índice nacional. Por isso, a Secretaria de Segurança Pública tem concentrado esforços no combate à embriaguez ao volante”, destacou.

Dados do Observatório de Trânsito da SSP-PI apontam que os motociclistas continuam sendo os mais vulneráveis. De acordo com Fernando Aragão, cerca de 80% das mortes registradas nas vias piauienses envolvem usuários de motocicletas.

“O observatório nos permite acompanhar os acidentes em tempo real e identificar perfis. A maior parte das vítimas são homens em idade produtiva. Cerca de 75% não possuem habilitação e muitos trafegam sem capacete ou sob efeito de álcool”, explicou.

Para o gestor, a motocicleta já é, por natureza, um meio de transporte mais vulnerável. Quando fatores como imprudência, excesso de velocidade, ausência de habilitação e consumo de bebida alcoólica se somam, o risco de morte aumenta significativamente.

“A motocicleta oferece menos proteção ao condutor. Quando essa vulnerabilidade é associada à imprudência, infelizmente o resultado costuma ser fatal”, afirmou.

Aragão também chamou atenção para a baixa adesão dos municípios piauienses à municipalização do trânsito. Segundo ele, dos 224 municípios do estado, apenas 17 possuem o sistema implantado.

“O Código de Trânsito Brasileiro prevê uma gestão compartilhada, mas ainda temos poucos municípios com trânsito municipalizado. A fiscalização local é fundamental para reduzir acidentes e salvar vidas”, observou.

O diretor citou ainda exemplos de ações realizadas pela SSP-PI que apresentaram resultados positivos. Em Uruçuí, por exemplo, a intensificação da fiscalização ocorreu após o aumento expressivo das mortes.

“Em apenas três meses, o município registrou o mesmo número de mortes de todo o ano anterior. Realizamos uma operação de 30 dias e não houve nenhum óbito no período. Isso demonstra que a fiscalização salva vidas”, disse.

Segundo ele, em Teresina, as ações reforçadas durante o mês de maio também contribuíram para uma redução de cerca de 50% nas mortes no trânsito em comparação com períodos anteriores.

Fernando Aragão reforçou que o combate à violência no trânsito depende da atuação conjunta entre poder público e população.

“Noventa e três por cento dos acidentes com mortes registrados no Piauí tiveram como causa a falha humana. São ocorrências que poderiam ser evitadas. O nosso objetivo não é punir por punir, mas garantir que as pessoas retornem para casa em segurança. Façam uso do capacete, respeitem os limites de velocidade, não utilizem o celular ao dirigir e, principalmente, se forem dirigir, não consumam bebida alcoólica. Pequenas atitudes podem evitar tragédias e salvar vidas”, finalizou.

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