
Um grupo de investidores da empresa DF Trader, de Douglas Fonseca, que atua no segmento de investimentos financeiros em Teresina, denuncia atrasos no pagamento de rendimentos, dificuldades para resgatar valores aplicados e falta de respostas consideradas satisfatórias por parte da empresa. Os relatos chegaram ao Conecta Piauí nos últimos dias e se somam a reclamações já registradas em plataformas públicas de defesa do consumidor e o Instagram está fora do ar.
Nas redes sociais, Douglas Fonseca costuma compartilhar imagens de viagens internacionais, carros de luxo, aeronaves e motos aquáticas, conteúdo frequentemente utilizado como estratégia de marketing por empresas e influenciadores ligados ao mercado financeiro para atrair novos investidores.
Denunciantes ouvidos pela reportagem afirmam que a exposição desse estilo de vida teria sido um dos fatores que os levaram a confiar no projeto. Eles também apontam que o empresário já atuou na Hinode e alegam identificar semelhanças entre as estratégias de captação utilizadas anteriormente e as atuais. Especialistas alertam que promessas de altos rendimentos e a associação de investimentos a uma vida de luxo exigem cautela dos investidores, principalmente em operações que prometem retornos acima da média do mercado.
Segundo uma das denúncias encaminhadas à redação, investidores afirmam que os pagamentos estão em atraso há mais de três meses e que os pedidos de devolução dos valores investidos não estariam sendo atendidos.
“Existe em Teresina um investidor que está prestes a ser divulgado um golpe milionário no ramo de investimentos. A empresa seria a DF Trader. A mais de três meses não paga os investidores e já não responde os que buscam resgatar os valores investido. O golpe está ficando cada dia mais claro. Investi um valor e agora com os atrasos pedi devolução do valor mesmo contendo em contrato, eles não me atenderam e não dão satisfação do que está acontecendo”, afirma o denunciante.
O investidor relata ainda que outros clientes enfrentam situação semelhante e que um grupo estaria se mobilizando para cobrar explicações diretamente na sede da empresa.
Em outro trecho, o denunciante demonstra preocupação com a continuidade dos atrasos.
“O golpe vai ser o maior da história do Piauí. Podem ter certeza! Nada foi resolvido! Os pagamentos continuam em atraso e a narrativa permanece a mesma desde o primeiro mês de atraso”, afirma.
Além dos relatos enviados diretamente à reportagem, investidores também registraram reclamações públicas na plataforma Reclame Aqui. Uma das manifestações descreve um cenário de insatisfação com o modelo de investimentos oferecido pela empresa.
“Venho registrar minha profunda insatisfação e indignação com a condução do grupo DF Trader, representado por Douglas Fonseca, em razão do claro descumprimento do contrato firmado referente ao modelo de dividendos/rentabilidade prometido aos participantes”, relata o consumidor.
Segundo a reclamação, o aporte financeiro foi realizado em fevereiro de 2026 após a apresentação de expectativas de rentabilidade mensal.
“Realizei meu aporte financeiro em fevereiro de 2026, após diversas promessas de rentabilidade mensal em torno de 10% ao mês sobre o capital investido, além de toda uma narrativa de segurança, profissionalismo e gestão estruturada apresentada pelo grupo”, afirma o investidor.
O cliente diz que não recebeu os valores prometidos.
“Ocorre que, até o presente momento, NÃO recebi qualquer pagamento”, declarou.
Ainda segundo a reclamação, a justificativa apresentada pela empresa tem sido recorrente.
“Sempre que cobrado, o grupo apresenta justificativas genéricas e repetitivas, alegando supostos problemas relacionados a uma transição do banco pagador, sem fornecer qualquer documento comprobatório, cronograma oficial ou posicionamento transparente aos investidores”, diz o texto.
O investidor também relata que alguns participantes continuariam recebendo normalmente, enquanto outros permanecem sem pagamentos.
“O mais revoltante é perceber que alguns participantes seguem recebendo normalmente, inclusive pessoas que entraram antes e depois de mim, enquanto outros simplesmente são ignorados. Na prática, aparenta haver uma seleção arbitrária de quem recebe primeiro, priorizando justamente aqueles que dão mais trabalho ou pressionam mais publicamente”, afirma.
Na reclamação, o cliente destaca ainda o que considera falta de transparência por parte da empresa.
“Não há esclarecimentos objetivos; não há previsões concretas; não há suporte eficiente; não há respeito com quem confiou recursos ao projeto”, escreveu.
O reclamante pede a devolução integral dos recursos investidos, pagamento de multa contratual, correções financeiras e um posicionamento oficial da empresa. Ele também cita preocupações relacionadas ao desempenho de operações vinculadas à gestão dos recursos.
“Outro ponto extremamente preocupante é que, em consultas públicas e verificações relacionadas ao fundo vinculado à operação da DF Trader registrado na CVM, observa-se um histórico de resultados negativos expressivos ao longo dos meses, o que aumenta ainda mais a insegurança dos investidores e a sensação de risco envolvendo a gestão dos recursos”, afirma a manifestação.
De acordo com informações verificadas pelo Conecta Piauí, a empresa possui atualmente classificação “Não Recomendada” na plataforma Reclame Aqui. Conforme os dados apresentados pelos denunciantes, há 15 reclamações registradas e nenhuma resposta publicada pela empresa até o momento.
A DF Trader é associada ao empresário Douglas Fonseca e se apresenta no mercado como uma comunidade educacional voltada para o mercado financeiro, Forex e day trade, oferecendo mentorias e treinamentos para investidores.
Empresa se manifestou
Em resposta aos questionamentos divulgados inicialmente pelo portal Click24h, a DF Group divulgou uma nota oficial na qual afirma permanecer em pleno funcionamento e nega as alegações de desaparecimento ou ausência de atendimento.
Segundo a empresa, as atividades administrativas e operacionais continuam sendo realizadas normalmente na sede localizada na Avenida Raul Lopes, nº 299, Edifício Euro Business, sala 710, em Teresina. A companhia afirma que realiza atendimentos presenciais mediante agendamento e que tem buscado esclarecer as demandas apresentadas pelos clientes.
A nota informa que os atrasos decorreram de um processo de reestruturação operacional e bancária iniciado pela empresa com o objetivo de fortalecer mecanismos de segurança, compliance e sustentabilidade das operações. De acordo com a DF Group, a migração de determinadas operações para uma instituição financeira de maior porte exigiu adequações internas, análises documentais e cumprimento de exigências regulatórias.
A empresa sustenta ainda que determinados pagamentos foram temporariamente impactados pela fase de transição, mas afirma que a situação está sendo gradualmente normalizada à medida que os processos internos são concluídos.
Outro ponto destacado pela companhia é que os contratos firmados com clientes não preveem rentabilidade fixa.
“No que se refere aos rendimentos mencionados por alguns clientes, destaca-se que as condições contratuais sempre estabeleceram percentuais variáveis, sujeitos às oscilações de mercado e às condições operacionais aplicáveis, inexistindo garantia de rentabilidade fixa ou predeterminada”, diz trecho da nota.
A DF Group conclui afirmando que permanece aberta ao diálogo com investidores e que trabalha para regularizar integralmente os processos atualmente em andamento.
Até o momento, não há decisão judicial conhecida sobre o caso. Os relatos apresentados nesta reportagem representam as alegações dos investidores ouvidos e as manifestações públicas registradas por clientes, enquanto a empresa sustenta que enfrenta uma fase de reestruturação operacional e financeira. O espaço permanece aberto para novos esclarecimentos das partes envolvidas.






