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Plano prevê hidrovia do Parnaíba e portos em Luís Correia, Teresina e Guadalupe

O material também vincula a infraestrutura logística do litoral piauiense ao desenvolvimento da produção de hidrogênio verde na região de Parnaíba, listada como Oportunidade nº 5 do plano.

Um plano do governo federal coloca o Piauí em seis dos 42 eixos logísticos do país. Com isso, o Piauí poderá ganhar até 2050 uma hidrovia comercial no rio Parnaíba conectando três terminais portuários: o de Luís Correia, que já está em operação, e dois novos em Teresina e Guadalupe. A previsão está no Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, divulgado nesta quarta-feira (12) pelo Ministério dos Transportes.

O plano mapeou R$ 1,22 trilhão em investimentos em infraestrutura logística para as próximas décadas, sendo R$ 734,4 bilhões de origem privada e R$ 490,5 bilhões em recursos públicos. O estado aparece em seis dos 42 eixos de transporte definidos pelo documento, que organizou as prioridades do país em 12 eixos rodoviários, oito ferroviários, quatro aquaviários e sete intermodais, além de um banco de onze projetos alternativos para estudos futuros.

Hidrovia e terminais
O Eixo A003, batizado de Hidrovia do Parnaíba, é um dos quatro eixos aquaviários de todo o cenário-meta do plano e o único inteiramente localizado dentro de um estado. Ele prevê a consolidação da navegação comercial no rio Parnaíba, o que inclui obras como derrocagem, dragagem, balizamento e sinalização para tornar a navegação permanente e viável economicamente.

O terminal de Luís Correia, na foz do Parnaíba, já opera em estágio inicial. O plano prevê sua ampliação com capacidade nos quatro perfis de carga do sistema portuário: contêineres e carga geral, granel líquido (combustíveis e produtos químicos), granel sólido agrícola (como soja e milho) e granéis sólidos minerais.

Os terminais de Teresina, no trecho médio do rio, e de Guadalupe, mais ao sul, seriam construídos do zero, também com os quatro perfis. A configuração é a mais completa possível, sinalizando vocação multipropósito para os três pontos da hidrovia.

O material também vincula a infraestrutura logística do litoral piauiense ao desenvolvimento da produção de hidrogênio verde na região de Parnaíba, listada como Oportunidade nº 5 do plano.

Além da hidrovia, o terminal de Luís Correia aparece no eixo de Cabotagem Sul-Manaus (A004), o maior do plano, com 93 intervenções. Nele, o porto piauiense é incluído na mesma rota de cabotagem de terminais como Santos, Suape, Itaqui, Pecém, Salvador e Manaus. Na prática, o estado entra no circuito de navegação costeira que conecta o Sul ao Norte do país.

Em julho deste ano, o Porto Piauí realizou a primeira exportação da história do estado: 9 mil toneladas de minério de ferro extraído em Piripiri com destino à China, embarcadas no navio graneleiro Konta II. A companhia também firmou acordo com a Czarnikow Brasil para movimentação de grãos como milho e sorgo, com embarques previstos para o último trimestre de 2026.

Em maio, a Companhia Porto Piauí e a SC Portos, de Santa Catarina, formalizaram um Memorando de Entendimento para estudar a viabilidade de rotas regulares de cabotagem entre o litoral piauiense e terminais do Sul, dentro do programa BR do Mar. O plano de negócios do terminal está sendo elaborado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Segundo dados da Antaq, a cabotagem movimentou 60,7 milhões de toneladas nos portos do Nordeste em 2025, concentrada em apenas quatro estados: Bahia, Maranhão, Ceará e Pernambuco, que responderam por 91,6% do total regional. O Piauí não registrava movimentação regular nesse modal até o início das operações em Luís Correia.

O Ministério de Portos e Aeroportos também formalizou acordo de cooperação técnica para a delegação da Hidrovia do Parnaíba ao estado. O total de investimentos anunciados para o porto e a hidrovia se aproxima de R$ 1 bilhão em aportes federais, além dos R$ 2,5 bilhões previstos para o Terminal de Uso Privado (TUP).

Luís Correia é o ativo piauiense com mais presença no PNL 2050, aparecendo em três eixos diferentes: a hidrovia (A003), a cabotagem (A004) e o eixo rodoviário que liga Maranhão e Piauí (R010).

Rodovias: requalificação em várias direções
No eixo R010 (Ligação rodoviária entre o Maranhão e o Piauí), estão previstas requalificações em pelo menos oito trechos que cortam o Piauí ou partem dele. Entre eles estão a BR-343 entre Piripiri e Luís Correia, a BR-343/BR-226 entre Piripiri e Teresina, a BR-316/BR-343 entre Teresina e Floriano, a PI-140 entre Canto do Buriti e Floriano, a BR-135 entre Bom Jesus e a BR-230 no Maranhão e a BR-316 entre Teresina e Peritoró (MA).

As intervenções são classificadas como expansão, ou seja, melhorias de capacidade em rodovias já existentes e pavimentadas, como recuperação, correção de traçado e possíveis duplicações.

No eixo R005 (Ligação rodoviária do interior ao litoral no Nordeste) aparece a única obra rodoviária totalmente nova dentro do Piauí em todo o cenário-meta: a implantação da BR-020 entre Simplício Mendes e a BR-230, trecho que hoje não existe. Esse eixo responde a outra oportunidade identificada pelo plano, o desenvolvimento do Piauí a partir da conexão com a Bahia.

No eixo ferroviário F003 (Ligação ferroviária no interior do Nordeste), o município de Eliseu Martins é o ponto de encontro entre dois grandes projetos: a Ferrovia Transnordestina, ligando Eliseu Martins ao Porto de Pecém, no Ceará, e uma nova conexão entre a Ferrovia Norte-Sul e a Transnordestina, partindo de Guaraí, no Tocantins. Ambas são obras novas em bitola larga.

O eixo F008, que trata da Transnordestina no trecho entre Fortaleza e São Luís (malha antiga, em bitola métrica), é classificado apenas como manutenção. Esse trecho corta o norte do Piauí, embora o estado não seja citado nominalmente no texto do eixo.

Ferrovia Teresina-Luís Correia: no plano, mas não na meta
A ferrovia entre Teresina e Luís Correia não integra o cenário-meta do PNL 2050. Ela foi incluída no Banco de Projetos do PIT, descrito no documento como o conjunto de “alternativas de eixos de transporte para eventuais estudos futuros”.

O plano explica que o banco de projetos funciona como “amortecedor de risco”. Se uma prioridade do cenário-meta enfrentar entraves como inviabilidade técnica, problemas de licenciamento ou retorno financeiro insuficiente, há alternativas estruturadas prontas. Na prática, a ferrovia Teresina-Luís Correia é o plano B para a ligação entre a capital e o litoral. A aposta prioritária para esse trecho é a própria hidrovia do Parnaíba.

A ferrovia, caso venha a ser ativada, seria uma implantação totalmente nova, com bitola ainda a definir.

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