Financiamento para motoristas de app e taxistas começa hoje; dicas para ser aprovado
Além da aprovação na análise do governo, o motorista também deve passar pela aprovação do banco

O programa Move Brasil passa a valer nesta sexta-feira (19), permitindo que taxistas e motoristas de aplicativo financiem veículos zero-quilômetro com juros reduzidos. A iniciativa contará com uma linha de crédito de R$ 30 bilhões, destinada à renovação da frota desses profissionais.
Apesar de atender aos requisitos do programa e obter o cadastro aprovado pelo governo, os interessados ainda precisarão passar pela análise de crédito das instituições financeiras. Segundo especialistas, é justamente nessa etapa que a maior parte dos pedidos pode ser recusada.
De acordo com Ricardo Hiraki, consultor financeiro pessoal da Plano Fintech de Educação Financeira, embora o programa reduza o custo do financiamento por meio do apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o risco da operação permanece com os bancos. “O programa subsidia o custo do dinheiro via BNDES, mas o risco continua sendo da instituição financeira, que adota critérios rigorosos”, explicou.
Para Hiraki, a principal barreira para os interessados será a avaliação feita pelas instituições financeiras. “A maioria das recusas vai acontecer na análise de crédito do banco”, afirmou o especialista.
Mesmo com os incentivos oferecidos pelo governo, fatores como histórico financeiro, capacidade de pagamento, endividamento e score de crédito continuarão sendo determinantes para a aprovação do financiamento. Por isso, profissionais interessados em aderir ao programa devem manter sua situação financeira regularizada para aumentar as chances de aprovação.
1 – Atenção ao histórico na plataforma
A etapa de validação junto ao governo é realizada de forma digital pela plataforma Gov.br. Para motoristas de aplicativo, é necessário comprovar cadastro ativo há pelo menos 12 meses e a realização de, no mínimo, 100 corridas no período. Segundo especialistas, essa fase costuma ser simples para quem mantém atividade regular e histórico contínuo de trabalho.
A recomendação é evitar a troca de plataforma pouco antes da solicitação do benefício ou financiamento, já que os dados são conferidos diretamente com os aplicativos parceiros.
No caso dos taxistas e cooperados, é fundamental manter a licença profissional, alvarás, registros e tributos em dia. De acordo com consultores, trata-se de um critério de elegibilidade profissional, e não de análise da capacidade financeira, o que facilita a aprovação para quem exerce a atividade regularmente. Pendências documentais, porém, podem dificultar o processo.
2 – Nome limpo é ideal
Após garantir a elegibilidade no programa, a etapa mais importante passa a ser a análise de crédito feita pelos bancos. Especialistas recomendam que os interessados verifiquem a situação do CPF com antecedência e regularizem qualquer pendência financeira.
A orientação é consultar o histórico nos órgãos de proteção ao crédito, quitar ou renegociar dívidas em aberto e evitar novos empréstimos nos meses anteriores ao pedido. Também é importante manter o uso do cartão de crédito sob controle, já que atrasos, utilização frequente do crédito rotativo e excesso de parcelas em aberto podem reduzir as chances de aprovação.
Segundo especialistas, a preparação financeira deve começar meses antes da solicitação, pois a existência de restrições no CPF é um dos principais fatores que levam à negativa do financiamento pelas instituições financeiras.
3 – Comprove a renda
Comprovar renda é um dos principais desafios para motoristas de aplicativo e outros trabalhadores autônomos na hora de solicitar financiamento. Como a renda costuma variar de mês para mês, os bancos tendem a ser mais cautelosos na análise de crédito.
Para aumentar as chances de aprovação, especialistas recomendam reunir relatórios de ganhos dos aplicativos referentes aos últimos três a seis meses, além de extratos bancários que comprovem os recebimentos. Também é importante apresentar a declaração mais recente do Imposto de Renda, especialmente para quem atua como autônomo ou como MEI.
Outra orientação é manter um histórico financeiro organizado, concentrando os recebimentos em uma única conta bancária e guardando os comprovantes das plataformas. Segundo especialistas, esse “rastro financeiro” ajuda a demonstrar estabilidade de renda e fortalece a análise realizada pelas instituições financeiras.
4 – Vá ao banco onde você já tem relacionamento
A escolha do banco pode influenciar diretamente na aprovação do financiamento. Especialistas destacam que as chances tendem a ser maiores na instituição onde o motorista já possui relacionamento financeiro, como conta corrente ativa, chave Pix cadastrada ou histórico de pagamentos de cartões e empréstimos.
Isso ocorre porque os bancos conseguem analisar o comportamento financeiro do cliente com base em dados já disponíveis, o que pode trazer mais segurança para a concessão do crédito.
Além disso, manter os recebimentos das corridas concentrados na mesma conta bancária ajuda a comprovar renda e movimentação financeira, fortalecendo a análise de crédito e aumentando as possibilidades de aprovação.
5 – Calcule a parcela e pense na entrada
Especialistas recomendam que a parcela do financiamento não ultrapasse entre 25% e 30% da renda líquida mensal do motorista. Para esse cálculo, porém, deve ser considerada a renda efetiva, já descontadas despesas como combustível, manutenção do veículo, taxas e períodos sem trabalho, e não o faturamento bruto obtido nas corridas.
Outro ponto de atenção é o valor da entrada. Como o risco da operação continua sendo assumido pelos bancos, muitas instituições podem exigir uma entrada significativa, em torno de 30% do valor do veículo. Em um carro avaliado em R$ 100 mil, por exemplo, isso representaria cerca de R$ 30 mil, valor que pode se tornar um dos principais obstáculos para parte dos profissionais interessados no financiamento.
6 – Atenção ao Custo Efetivo Total
Na hora de escolher a melhor proposta de financiamento, especialistas alertam que o valor da parcela não deve ser o único critério de comparação. O principal indicador a ser analisado é o Custo Efetivo Total (CET), que reúne todos os encargos da operação, como juros, tarifas e seguros, permitindo conhecer o custo real do financiamento.
Também é importante lembrar que a prestação representa apenas uma parte das despesas de um veículo. Gastos com combustível ou energia, seguro, IPVA, manutenção, pneus, revisões, limpeza e depreciação devem ser incluídos no planejamento financeiro.
Além disso, especialistas recomendam comparar as condições do programa Move Brasil com outras alternativas disponíveis no mercado, como aluguel de veículos e financiamentos tradicionais. A orientação é avaliar o custo total de cada opção antes da assinatura do contrato, evitando que a aprovação do crédito seja vista, por si só, como garantia de um bom negócio.
7 – Organize as finanças para não perder o carro
Mesmo após a aprovação do crédito, a organização financeira continua sendo fundamental. Especialistas recomendam que a parcela do financiamento seja tratada como uma despesa fixa prioritária, além da criação de uma reserva financeira capaz de cobrir entre três e seis prestações para enfrentar períodos de menor demanda por corridas.
Também é aconselhável separar mensalmente recursos para despesas recorrentes, como IPVA, seguro, manutenção e eventuais reparos do veículo. Dessa forma, o motorista evita surpresas no orçamento e reduz o risco de inadimplência.
Segundo especialistas, o financiamento deve ser encarado como uma decisão de negócio. Mais importante do que obter a aprovação do crédito é garantir que a dívida seja sustentável e compatível com a realidade financeira do profissional, permitindo que o veículo gere renda sem comprometer sua estabilidade econômica.






