
Em depoimento à Rede Meio Norte, um fiel detalhou como membros de sua igreja foram convencidos a fazer aportes financeiros na empresa DF Group, cujo o CEO é o empresário Douglas Fonseca. O grupo foi alvo de uma operação na última sexta-feira (10).
Conforme a vítima, durante os cultos, um pastor bastante conhecido na região falava em “prosperidade” e que seus discípulos “tinham que ser os mais prósperos de Teresina”. Com isso, ele afirmou que o pregador insistia que os membros da igreja deveriam entender de investimentos e que a plataforma da DF Group seria a melhor opção disponível.
“Porque a igreja eh precisava de gente prósperas, tinha que investir nesse aí, nesse conhecimento, sobre entender sobre investimento e que o melhor investimento seria esse e foi aquela lavagem cerebral. A tropa todinha que fez investimento, essa galera nossa que fez o investimento, que era congregados, alguns já saíram, alguns se decepcionaram, saíram fora, como eu também saí fora, decepcionado com todos esses esses acontecimentos”.
Mesmo desconfiados da promessa de lucros de 10% ao mês, muitos membros decidiram investir por confiarem na liderança religiosa.
“A gente, mesmo tendo consciência disso, questionamos, foi questionado, fizemos questionamentos com eles lá, com as lideranças. [Eles diziam] ‘Vai dar certo, vai dar certo’. Parecia que era uma coisa totalmente combinada entre eles lá para passar para os discípulos”, disse.
Segundo o fiel, era repassado que o operador do esquema já atuava havia mais de sete anos no mercado de investimentos, exibindo bens e conquistas materiais como prova de sucesso.
“Aquilo ali foi tirando o medo da gente, foi tirando o medo das pessoas, né? E a gente confiando porque a nossa liderança era o pastor, a nossa liderança eh na fé era o pastor. Era nele que a gente acreditava. Se ele falou, se ele tava fazendo ali mostrando para nós que tava dando certo, era o que a gente tinha que fazer”.
Uma das pessoas afetadas relatou à reportagem ter realizado um investimento de cerca de R$ 120 mil no mercado financeiro por meio da DF Group.
A DF Group é alvo de uma investigação que apura um suposto esquema de estelionato qualificado por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A empresa oferecia aplicações financeiras com promessa de retorno aos clientes. No entanto, clientes passaram a relatar e a fazer denúncias de que não tiveram retorno dos valores investidos.
Em junho, pelo menos quatro pessoas procuraram a TV Meio Norte e o 1º Distrito Policial de Teresina para formalizar denúncias relacionadas aos investimentos realizados na empresa. O delagado Matheus Zanatta afirmou que durante a apuração, a polícia constatou que a empresa não possuía autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para atuar no mercado financeiro.
Além disso, a policia aponta que em dois anos, a empresa movimentou cerca de R$ 100 milhões. Segundo Zanatta, Douglas ostentava nas redes sociais carros importados, relógios de alto valor e viagens internacionais para atrair novos investidores.




